Economia mista e ajuda governamental NÃO melhoram a economia!

O modelo de economia mista distorce preços, gera desemprego e favorece políticos, minando a liberdade econômica e a eficiência do mercado.

Em 1937, a economia planejada ganhou destaque com a publicação do livro A Sociedade Planejada: Ontem, Hoje, Amanhã: Um Simpósio com Trinta e Cinco Economistas, Sociólogos e Estadistas. Este livro reuniu keynesianos, socialistas, comunistas e figuras como Benito Mussolini e Joseph Stalin, todos concordando na necessidade de planejar a economia. Ali, o socialismo, o fascismo e o New Deal americano foram abordados como partes de uma mesma tendência em favor do controle governamental sobre o mercado.

Enquanto a maioria dos autores defendia o modelo de “economia mista”, Ludwig von Mises alertava que essa mistura de capitalismo e socialismo era instável e levaria ao estatismo, com regulamentações sufocando a liberdade econômica. Hoje, quase todos os setores econômicos são afetados pelo governo, e órgãos reguladores, respaldados por economistas formados em universidades de inclinação estatista, exercem grande poder sobre as economias ocidentais.

A justificativa de uma economia mista seria garantir “pleno emprego” e incentivar a inovação por meio de subsídios, mas frequentemente ela gera desemprego e interfere no comércio. Também promove uma distribuição de riqueza questionável, premiando os menos produtivos e penalizando os mais eficientes. Para garantir este estado de coisas e a influência sobre a economia, os planejadores – geralmente professores, mestres e doutores nas escolas de economia das universidades – evitam elogiar a propriedade privada, a função dos preços como coordenadores do mercado, e ignoram geralmente o livre mercado como motor da prosperidade, ainda que toda a prática e a realidade mostre que onde há mais liberdade econômica, há mais qualidade de vida da população.

Economistas como Charles Schultze, que foi presidente do Conselho de Consultores Econômicos na presidência de Jimmy Carter, defendiam em seus livros que o governo deveria gerir a economia para promover prosperidade. Schultze também elogiava a proteção da moeda pelo Banco Central, apesar de constantes desvalorizações provocadas por intervenções políticas.

O 2 + 2 = 4

A intervenção governamental em uma economia mista tem efeitos negativos: interesses próprios de políticos e burocratas, distorção dos preços e taxas de juros, incentivo à economia informal e perda de eficiência do mercado de trabalho. Políticos, em busca de votos, prometem subsídios e privilégios, expandindo o poder do governo. Essa intervenção afeta o sistema de preços e juros, resultando em investimentos equivocados e enfraquecendo a divisão natural do trabalho ao priorizar regulamentações sobre o mérito.

Querem exemplos?

Enquanto no setor privado o interesse próprio impulsiona o bem comum por meio da criação de valor e da competição, no setor público, o desejo dos políticos por votos leva à concessão de subsídios (privilégios) e criação de leis que favorecem certos grupos (mais privilégios). Esse ciclo alimenta o aumento do orçamento público e do poder governamental, corroendo o bem comum em nome de interesses particulares.

A intervenção dos planejadores também gera impactos imediatos no mercado. Recentemente, vimos o efeito da expansão monetária promovida por diversos Bancos Centrais (isso se chama de inflação, como os economistas da Escola Austríaca bem sabem), e, como consequência, os preços aumentaram de maneira generalizada, penalizando o consumidor e diminuindo o poder de compra.

Outro exemplo é o crescimento da economia tida “informal”, incentivado pelas regulamentações excessivas que tornam mais atraente atuar fora da lei. Com isso, a honestidade do mercado é comprometida, e vemos produtos de qualidade inferior sendo vendidos como se fossem de primeira — como carne de outra origem rotulada como carne bovina, por exemplo.

A intervenção também distorce o sistema de preços e a taxa de juros, que deveriam servir para coordenar o uso eficiente dos recursos. Com taxas de juros artificialmente baixas, por exemplo, empresários são levados a fazer investimentos desastrosos, pois essas taxas não refletem a realidade da demanda (Escola Austríaca básica).

Para um último exemplo, a intervenção do governo prejudica a divisão natural do trabalho ao impor regulamentações que restringem a liberdade de contratar por mérito. Ao ditar quem deve ocupar certas posições, o governo impede que os mais qualificados sejam escolhidos, minando a eficiência e o progresso econômico inteiro.

Por que então esta bobagem de economia mista é tão comum?

Se a economia mista gera tantos problemas, por que é tão comum? A resposta é simples: ela beneficia os políticos e aqueles bem relacionados com o governo, que conseguem explorar o sistema em detrimento dos contribuintes. Para manter o controle, o Estado ataca instituições que poderiam contrabalançar seu poder, como famílias, empresas e organizações de caridade. O resultado é uma sociedade cada vez mais controlada, com pobreza crescente e oferta de subsídios para políticos angariarem votos.

O livro A Sociedade Planejada, que citei no início deste artigo, pavimentou o caminho para esse modelo, servindo de base para um sistema que continua favorecendo o controle estatal, limitando as liberdades econômicas e penalizando toda a sociedade.


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