Leandro Ruschel alerta para o risco de desemprego e informalidade caso a medida seja aprovada.
O economista Leandro Ruschel criticou veementemente, em uma declaração no Youtube, a proposta do partido PSOL de reduzir a jornada de trabalho para quatro dias por semana no Brasil, sem diminuir os salários dos trabalhadores. Segundo Ruschel, a medida, se implementada, poderia trazer consequências adversas à economia brasileira, como aumento do desemprego e migração de trabalhadores para a informalidade, devido à baixa produtividade do país e à alta carga tributária. “É uma ilusão acreditar que você vai poder ter o mesmo salário trabalhando menos”, afirmou.
O projeto, que sugere uma jornada de trabalho semanal de 36 horas, com possibilidade de compensação e acordos de redução mediante convenção coletiva, foi apresentado pela deputada federal Erika Hilton, do PSOL, como uma medida para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, Ruschel contestou essa visão, argumentando que a proposta foi mal interpretada pelo público devido à “desinformação em massa” promovida pela mídia, que está veiculando um viés político.
Erro de horas na proposta
Ruschel apontou um erro na própria proposta do PSOL ao calcular as horas de trabalho semanais. Embora o projeto mencione uma carga de 36 horas, uma jornada de quatro dias com oito horas diárias resultaria, na prática, em 32 horas por semana. Esse desvio matemático, segundo o economista, reflete uma falta de precisão nos detalhes do projeto e levanta dúvidas sobre a viabilidade da proposta. “Ainda tem um problema de matemática aí”, comentou Ruschel, sublinhando que a inconsistência entre o total de horas sugeridas e o que realmente se aplicaria poderia gerar ainda mais confusão e dificultar a implementação do modelo no contexto brasileiro.
Para o economista, a ideia de reduzir a carga horária semanal de trabalho é inviável, especialmente no Brasil, onde a produtividade é baixa e o sistema de educação pública não consegue preparar adequadamente a população para o mercado de trabalho. “Temos no Brasil um nível de produtividade muito baixo por causa de um sistema de educação caríssimo e ineficiente na preparação dos jovens, inclusive para o mercado de trabalho”, declarou.
Carga tributária pesada
Ruschel também destacou que a carga tributária elevada no país já pressiona os empresários e dificulta a geração de empregos formais. Ele argumentou que o impacto econômico da medida recairia sobre o setor privado, que teria de arcar com os custos adicionais, resultando em preços mais altos para os consumidores. “O empresário, que já está com a corda no pescoço por conta da situação econômica, vai ter que repassar esse custo adicional para o consumidor”, explicou.
O economista acrescentou que, em países com alta produtividade, a tendência de redução da jornada de trabalho se concretiza naturalmente, à medida que os trabalhadores produzem mais em menos tempo. No entanto, ele ressalta que o Brasil não alcançou esse nível de desenvolvimento e que uma imposição governamental nesse sentido resultaria em “mais desemprego, menos carteiras assinadas e mais trabalhadores na informalidade”.
Em sua análise, Ruschel concluiu que a proposta representa uma visão idealista da esquerda, que não leva em conta a realidade econômica do país. “Não há milagre para gerar riqueza; é preciso produzi-la”, enfatizou. O economista expressou preocupação com o futuro da economia caso a medida avance, reiterando que o impacto seria mais negativo para a própria população que se pretende beneficiar.

Deixe um comentário abaixo.