Haddad apresenta pacote “bomba”, com aposta em apelo populista do IR

Mercado não reagiu bem ao anúncio e na quinta-feira o dólar bateu recorde histórico e bolsa caiu.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez na noite de ontem (terça-feira) um pronunciamento em rede nacional para apresentar medidas de ajuste fiscal e reforma tributária. Apesar de ter sido tratado como uma tentativa de consolidação econômica, o teor sugere um forte tom político e populista com potencial de ou impulsionar ou comprometer a carreira do ministro no cenário eleitoral de 2026. A apresentação gerou reações mistas no mercado e críticas sobre sua viabilidade e impactos.

As medidas anunciadas

Haddad destacou três pilares de contenção de gastos públicos: a alteração na aposentadoria de militares, o combate a “super salários” e excessos no funcionalismo público, e a redução do crescimento das emendas parlamentares. Ainda sem dizer como fazer isso, pois o “pacote” não foi apresentado nem tem data para ser entregue para análise do Congresso, essas propostas são difíceis de implementar e os cortes reais podem ser limitados. A inclusão de reformas na tributação da renda foi a parte mais batida pela grande imprensa apoiadora do governo Lula.

Isenção do Imposto de Renda

A ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5.000 gerou entusiasmo entre os apoiadores do governo federal atual, mas foi interpretado pelo mercado como uma medida de caráter populista, com claros objetivos políticos. A proposta ainda enfrenta desafios práticos que comprometem os cofres públicos, criando a necessidade deste governo – que já acumula déficit primário de R$ 105,2 bilhões nos nove primeiros meses do deste ano – de tirar estes valores de outro lugar com mais carga de impostos sobre outros setores.

Haddad afirmou que essa ampliação de isenção não geraria impacto fiscal significativo, pois seria compensada por um aumento da tributação sobre rendas superiores a R$ 50.000. Contudo, dados do próprio governo indicam que as perdas de arrecadação podem chegar a R$ 105 bilhões caso a isenção seja implementada de forma linear. Não foi dito se a isenção será escalonada ao longo de anos, diluindo o impacto imediato, ou de forma rápido, o que manteria sua função política de angariar apoio popular.

O que a grande-imprensa em geral não disse é que a base de contribuintes afetados pela tributação sobre rendas altas é pequena, tornando improvável que essa faixa sozinha compense o rombo gerado pela ampliação da isenção. Para que isso seja viável, a alíquota para rendas acima de R$ 50.000 precisaria ser extremamente alta, criando receio de fuga de capitais e desestímulo econômico.

Aposta política do PT

Analistas no Youtube já enxergam no movimento do Partido dos Trabalhadores (PT) uma tentativa estratégica de fortalecer Haddad como possível candidato à presidência em 2026, caso o pacote tenha sucesso. Entretanto, o risco é alto: um fracasso pode associar o ministro às dificuldades econômicas, comprometendo seu futuro político. A decisão de Lula de delegar a apresentação das medidas ao ministro foi interpretada como uma forma de blindar o próprio capital político do presidente.

Mercado reage com pessimismo

O mercado financeiro reagiu negativamente ao anúncio. O dólar comercial disparou, atingindo já pela manhã de quinta-feira R$ 5,94 e no meio da tarde R$ 5,98, um recorde histórico. A bolsa de valores registrou queda, refletindo desconfiança sobre a efetividade das medidas para conter o déficit fiscal. A promessa de economia de R$ 70 bilhões em dois anos foi recebida com ceticismo, considerando principalmente a falta de detalhamento e os obstáculos políticos para aprovação no Congresso.


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