Carta de Kakay escanteando Lula mostra também um movimento do STF de se livrar de Lula para preservar-se

Você leitor sabe que o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, fez circular uma carta em tom de preocupação em grupos de governistas e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (16). E isso parece demonstrar claramente que o cenário e os realinhamentos políticos do Brasil estão mudando. O que eu vejo — que não li ou ouvi ou vi em lugar nenhum — é que este gesto pode e deve ser interpretado como um sinal claro de que o Supremo Tribunal Federal (STF) e aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão se distanciando do petista para preservarem-se.

O advogado Kakay, além de um dos maiores defensores de Lula e peça-chave na articulação que levou o ex-presidente de volta ao poder, também é aquele que entra de bermudas no STF (veja aqui). É o mesmo que chama os ministros supremos para festas à beira da piscina. Ele quer perder este círculo de amizades?

Na carta, Kakay comparou o presidente atual a uma versão “isolada” e “capturada” de si mesmo. E afirma que Lula perdeu sua capacidade de seduzir, ouvir e liderar, características que o tornaram um dos políticos mais influentes da história recente do Brasil. O advogado também destacou que o presidente não tem mais ao seu lado pessoas capazes de dizer o que ele precisa ouvir, o que o deixou distante de velhos amigos e aliados.

Primeiro vamos repetir o que outros escreveram, disseram e falaram sobre esta carta e suas consequências.

Isolamento de Lula e desgaste do PT

A carta de Kakay não é um ataque isolado, mas parte de um movimento crescente de abandono ao governo Lula. Nas últimas semanas, líderes partidários e presidentes de partidos do centro têm se distanciado publicamente do petista, sinalizando que a base de apoio ao governo está se esvaziando. Paulinho da Força, do Solidariedade, partido que primeiro apoiou Lula nas eleições de 2022, foi um dos primeiros a criticar a gestão, abrindo caminho para que outros fizessem o mesmo.

Tomara, o desgaste do PT e de Lula seja irreversível. A rejeição ao governo cresce, e a possibilidade de uma derrota nas eleições de 2026 já é admitida até por aliados históricos. O que não disseram — e eu digo aqui — é que o abandono é necessário quando as pesquisas estão mostrando que nem as urnas do TSE podem fingir uma vitória com tamanho desgaste.

Por isso a intenção de Kakay ao sugerir em sua carta que, se Jair Bolsonaro tivesse sido mais competente em sua campanha de reeleição, poderia ter vencido. Eu acho que venceu. Diz ele ainda: agora, com Lula “esforçando-se muito para perder”, o risco de uma vitória da oposição em 2026 parece cada vez mais real. Claro, justamente porque não há como fazer mágica com tamanha realidade à sua frente.

STF e sua tentativa de autopreservação

O gesto de Kakay não pode ser visto apenas como uma crítica pessoal, mas como um movimento estratégico do STF e de setores do sistema político para se distanciar de Lula e preservar seus próprios cargos. O advogado “privilegiado” sinaliza com esta carta, sem pretender que isso fosse percebido, que o STF também — agora com Donald Trump e seu poder de presidente dos EUA como arqui-inimigo —, está buscando se livrar de um governo que já não oferece mais vantagens políticas. Pode ainda escapar de uma investigação por beneficiamento ilícito nas eleições de 2022. Deixa que Lula seja jogado aos leões com a desculpa de que, se houve benefício antes, por que agora não estão mexendo os pauzinhos?

A relação entre Lula e os ministros do STF sempre foi de conveniência mútua, mas o desgaste do presidente e o aumento da rejeição popular acaba por levá-los a repensar seu apoio. Afinal, o jogo está virando, e mais rápido que o mais otimista da direita poderia sonhar.

O gesto de Kakay, a carta, é um recado e o começo do fim de uma amizade. Lula vai ser forçado a escolher entre renunciar, sofrer impeachment, se fazer de desinteressado numa reeleição por causa da idade e entregar a decisão ao PT e siglas satélites ou fingir demência. Essa escolha deve vir entre abril e maio para acalmar o mercado e segurar a inflação, dando ao próximo candidato mais condições para concorrer. Anote isso.


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