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Empresas de setores como varejo, indústria, alimentos e agronegócio enfrentam cortes, encerramentos e dificuldades de crédito; críticos associam cenário a escolhas econômicas do governo federal

O avanço das recuperações judiciais, o recorde de empresas inadimplentes e uma sequência de fechamentos ou reestruturações em setores importantes da economia brasileira reforçam o alerta sobre o ambiente de negócios no país. Embora cada caso tenha causas próprias, como endividamento anterior, concorrência, mudanças de consumo e dificuldades regionais, o crédito caro, a incerteza econômica e o peso dos custos aparecem como elementos recorrentes.

O Brasil chegou a 9,1 milhões de empresas inadimplentes em junho, o maior patamar da série da Serasa Experian. O volume das dívidas empresariais alcançou R$ 232,9 bilhões. Entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, os pedidos de recuperação judicial cresceram 65,8%, com forte participação do agronegócio, do varejo, do transporte e da logística.

No varejo, o Grupo Casas Bahia entrou em recuperação judicial, com dívida reconhecida de R$ 17,3 bilhões. A empresa fechou 298 lojas e realizou demissões em massa, parte delas posteriormente suspensa pela Justiça do Trabalho. A rede Quero-Quero, presente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, fechou 14 unidades gaúchas após registrar prejuízo de R$ 61,7 milhões no primeiro trimestre.

A indústria também contabiliza perdas. A Gerdau encerrou os setores de aciaria e laminação de sua unidade em Pernambuco e demitiu cerca de 160 trabalhadores, mantendo a produção de trefilados. A Jaguar Land Rover encerrou a produção em Itatiaia, no Rio de Janeiro, colocando cerca de 371 empregos diretos em risco. A Michelin fechou a fábrica de Guarulhos, em São Paulo, e a Saint-Gobain encerrou a produção da unidade da Isover em Santo Amaro, também na capital paulista.

Em Santa Catarina, a Justiça decretou a falência da Indústria de Móveis Três Irmãos, de Campo Alegre, após o fracasso da recuperação judicial. Já o Frigorífico Verdi, de Pouso Redondo, encerrou atividades após 56 anos, com impacto sobre cerca de 200 trabalhadores.

No setor de alimentos e agronegócio, a Cooperativa Piá suspendeu temporariamente a produção em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, em meio a dívida superior a R$ 200 milhões e negociação para venda da marca. A BMG Foods entrou em recuperação judicial no Paraná com mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas. O Grupo Soyagro, distribuidor de insumos agrícolas com atuação em Mato Grosso e Pará, também recorreu à Justiça após informar R$ 115 milhões a receber de clientes.

A pressão chegou ainda ao setor de alimentação. O Grupo Gennius, controlador de Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, obteve proteção judicial temporária para negociar cerca de R$ 312 milhões em dívidas. O grupo não está em recuperação judicial, mas busca evitar que a situação evolua para esse estágio.

Mais do que problemas isolados de gestão, os casos expõem um ambiente de negócios sufocado pelo Custo Brasil, perpetuado e agravado por escolhas do governo Lula: carga tributária elevada e complexa, insegurança regulatória, expansão de gastos públicos, pressão sobre os juros, crédito caro e baixa capacidade de resposta às dificuldades de empresas produtivas.

Dívidas antigas e erros empresariais existem, mas encontram um país em que produzir, contratar, financiar estoques e investir continua excessivamente caro. O resultado aparece no aumento da inadimplência, nas recuperações judiciais, nos cortes de empregos e no fechamento de unidades.


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